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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Marcelo D2 - A arte do barulho



Olha só o texto do Hélio de La Peña sobre o disco e sobre D2 que eu achei no música social...

A ARTE DO BAGULHO, quer dizer, DO BARULHO
por Helio de la Peña

Você que tá aí de bobeira, olhando pra ontem, gemendo que ninguém te ama, ninguém te quer, esperando que um grande lance caia no teu colo... D2 tem um recado pra você. É hora de se levantar, se mexer, se coçar, parceiro! Esse é o papo reto que corre nas faixas deste novo trabalho. A Arte do Barulho.

Tá ruim pra todo mundo e a vida é curta, não dá tempo de esperar a chegada da cavalaria, não dá pra ficar parado no ponto aguardando passar aquela van com destino à felicidade. Você não está numa lan house, meu cumpadi, essa ficha não te dá direito a outra vida. O jeito é suar a camisa, correr atrás, não é hora de abaixar pra ajeitar o meião. Tá certo, não se pode perder a esperança, é preciso sonhar, ficar de olho na luz no fim do túnel, mas se liga: pode ser o farol do camburão. Então, engole o flagrante e vai à luta.

Marcelo D2 não tá no mundo a passeio, quer deixar a marca do seu grafite lá no alto daquele prédio. É pra isso que ele rala. E sempre ralou. Ex-porteiro, ex-faxineiro, ex-camelô, nunca foi escroque ou escroto. Conheceu Skunk (o músico, não a erva), resolveu ser músico e criou o Planet Hemp (a banda, não a erva). Tumultuou a cena musical no palco, na imprensa, na cadeia. Desberlotou o rock, o rap, o punk e acendeu a chama da novidade até a última ponta.

Partiu pra carreira solo, tirou onda e lançou uma obra-prima – “À Procura da Batida Perfeita”, onde o rap se casou com o samba e foram felizes para sempre. Podia ter parado por aí, podia ter ficado lambendo seus prêmios, seus discos de ouro, de platina, de tungstênio... mas chega de saudade! O cara é sujeito homem, não vive de marcha ré. Meteu o pé e foi em frente. E depois de “Meu Samba é Assim”, ele chega estourando as caixas com “A Arte do Barulho”.

Para quem já tinha se acostumado com a mistura do hip hop com samba, D2 resolve jogar no liquidificador musical o DNA do Planet Hemp, com mais zueira, mais esporro, mais rock’n’roll. Atividade na Laje! Mas o samba continua vivo ali, no seu “Desabafo”, por exemplo. Pode acreditar! E no meio da acidez do discurso de um “Fala Sério”, a doçura de “Ela disse”.

Marcelo não está só nessa caminhada. Ele conta com Seu Jorge, Aori, Roberta Sá, Thalma de Freitas, Zuzuca Poderosa, Mariana Aydar, Medaphor, Marcos Valle e a banda Cabeza de Panda, além da parceria de pai pra filho com seu moleque Stephan.

Coerente e paradoxal, D2 gosta do luxo e das coisas simples, circula no morro e no asfalto, na zona sul e na zona norte, não foge da briga mas também quer sossego. D2 é da paz e não da pasmaceira. Este álbum te convida a vir pra pista balançar o esqueleto e, ao mesmo tempo, a parar pra pensar. Afinal de contas, quem aí não quer levar vida de bagana, digo, de bacana? Então, meu camarada, saia de cima do muro, bote a cara à tapa e vamos fazer barulho!


Agora dá uma olhada no clip. Bommm

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Tom Zé ---- Estudando a Bossa Nova (2008)


Mel deusss! Que disco é esse?!?!?!?!?!

Como se não bastasse Tom Zé ser gênio, revolucionário-musical, bem-humorado, perpicaz, enfim..., ele ainda reuniu um timaço de cantoras para acompanhá-lo nesse álbum. Mônica Salmasso, Jussara Silveira, Zélia Ducan (me surpreendeu), Fernanda Takai, Marina De La Riva - suas vozes delicadas junto com a voz de "taquara rachada", hehe, de Tom Zé formam um casamento impensável, mas pra lá de exultante.

Sempre considerei "Jogos de armar" uma experiência divertida, mas "Estudando a bossa", sem perder o escracho, as rimas e construções inusitadas, é, deliciosamente, melódico --- acarinha o ouvido...

Quer ouvir, corre no Um que tenha (corre mesmo porque o site está perigando de ser tirado do ar igual ao Som Barato, para tristeza e indignação geral da nação que aprecia música da booooa...)


Bom também ir aqui e no site do dito cujo.


Ah, dá uma olhada na reportagem da Folha Online

05/11/2008 - 09h36

Tom Zé se rende à bossa nova em novo disco

AUDREY FURLANETO da Folha de S.Paulo

Tom Zé vem tendo "pesadelos sensacionais". Gravou o que considera seu primeiro disco de músicas "cantáveis", chamado "Estudando a Bossa - Nordeste Plaza". "Eu inauguro um novo espaço na minha vida, onde faço pela primeira vez músicas melódicas, cantáveis", diz. "As transformações são assim. Todos os pesadelos meus têm uma mortandade enorme. Eu mato milhões de pessoas e estou o tempo todo ameaçado de morrer", conta, rindo. Por outro lado, com "Estudando", diz que vive uma das fases mais felizes de sua vida ao descobrir que suas músicas, agora, são "fáceis de se amar".

"Estudando a Bossa", que sai pela Biscoito Fino, tem menos ruídos e mais melodias suaves, como em "Barquinho Herói", "Filho do Pato" e "Roquenrol Bim-Bom", com delicadas vozes femininas de Fernanda Takai, Andréia Dias, Jussara Silveira e Anelis Assumpção, entre outras cantoras.

O resultado são faixas distantes do Tom Zé que diz ter feito música "crua e bárbara" enquanto os "bossa novistas finíssimos" Caetano Veloso e Gilberto Gil, nos anos 60, investiam em sons muito "depurados, muito perto da compreensão do que [Tom] Jobim, João [Gilberto] e [Carlos] Lyra estavam fazendo". "Esses são verdadeiros homens finos", diz.

"Tentei fazer essa coisa [em "Estudando a Bossa"] já que meu próprio espírito, graças ao tipo de leitura que tenho feito, graças ao tai chi [chuan] que pratico, graças à mulher com quem sou casado, que é uma mulher culta [Neusa Martins], passou por uma transformação até ser capaz de criar um disco de bossa nova." Segundo o músico, sua relação com os "homens finos" foi de "fã à distância cósmica e, por isso, apaixonado". "Não sou do cacife desses grandes artistas."


Nave extraterrestre A idéia de "Estudando a Bossa" aproveita a efeméride dos 50 anos da bossa nova e, se tem algo em comum com "Estudando o Samba" (1976) e "Estudando o Pagode" (2005), o músico diz que é apenas o fato de se debruçar sobre um gênero que, neste caso, ele viu nascer. "

Na rádio Excelsior da Bahia, em agosto de 58, de repente tocou uma coisa que era imensamente absurda, uma nave extraterrestre pousando em nossos ouvidos e, ao mesmo tempo, estava entranhada em toda a história do samba que a gente conhecia", lembra o músico. A partir daquele dia, avalia Tom Zé, os músicos de sua geração tiveram de "exacerbar sua capacidade perceptiva, para poder conviver com a chegada no planeta Terra da gravação de "Chega de Saudade'". Dias depois de ouvir a canção inaugural da bossa, ele soube que seu compositor era baiano ("outro susto cósmico!"), chamava-se João Gilberto e que estava na Bahia um moço que sabia fazer sua "levada" com o violão. "Eu cheguei à casa dele e já tinha cinco ou seis amigos para aprender a levada do violão de João", conta. O momento seguinte à chegada daquela nave, ele resume como "uma febre de neurônios, ansiedade e paixão" --ou, como diz na letra de "João nos Tribunais", "diante do desafinado, o mundo curva-se, desova".

"O amor puro mandou dizer, por email, desça do muro, que eu já tô cheio, já cansei de você, desse lero-lero, dessa velha letra de bolero...

e só aturo agora o velhaco do Platão com o tal Kama-sutra na mão."
(Tom Zé e Marina De La Riva em "Bolero de Platão).

"Quando Caymmi que criou essa cidade Solvador, foi a Mãe Menininha que amamentou...

"Bahia que padece de usura, meu Deus, e quer fazer torre de toda altura, rebenta praia, quebra Cairu, ninguém escapa desse cerca Jacú. Buda* que ensaia de pijama na Lapinha, Gandhi gandaia que desmama Barroquinha, Patuquicaio* uma mucama na Rocinha, mãe menininha samba reza na Bahia-iá-iá
(Tom Zé, Annelis Assumpção, Daniel Maia em “Solvador, Bahia de Caymmi”)

*Não consegui entender direito essas duas palavras... chutei hehe

“O Rio era lindo demais e amava Niterói, que também dava sinais, doce paixão que dói, e desconsolados olhares, toda noite em vão

piscando sobre os mares numa eterna separação"
(Tom Zé e Zélia Ducan em "Amor do Rio")
"se João Gilberto tivesse um processo aberto e fosse nos tribunais cobrar direitos autorais por todo samba-canção que com sua gravação passou a ser bossa-nova, qualquer juiz de toga, de martelo ou de pistola, sem um minuto de pausa, lhe dava ganho de causa" (Tom Zé em "João nos tribunais")

"Mulher de música é coisa de utilidade pública. Além disso sinhá de iáiá, musa é musa e mulher de carne e osso vem a ser hipotenusa"

(Tom Zé e Fabiana Cozza em "Mulher de música")

"No dia que a Bossa Nova inventou o Brasil, teve que fazer direito, senhores pares, pois nossa capital era Buenos Aires...

"E na cultura Hollywood, cinema dizia que em Buenos Aires havia uma praia chamada Rio de Janeiro (...) naquele Rio de Janeiro o tango nasceu e Mangueira o imortalizou na Avenida, originário das tangas com que as índias fingiam cobrir a graça sagrada da vida."
(Tom Zé e Fernanda Takai em "Brazil, capital Buenos Aires")

domingo, 19 de outubro de 2008

Zabé da Loca --- Bom todo (2008)


Depois de muito procurar achei um link para o álbum "Bom todo" de Zabé da Loca que se apresentou na MIMO - Mostra Internacional de Música de Olinda - desse ano.
Ela e Carlos Malta (Pife Muderno) são as razões da minha paixão pelo pífano pós-MIMO.



Sobre Zabé, transcrevo o release fornecido pela gravadora e postado no site do Instituto da Memória Musical Brasileira que também vale a pena conferir.

BOM TODO(2008)
Crioula Records CR 001
Artista(s):Zabé da Loca
Esteve durante 25 anos em uma caverna um dos segredos mais bem guardados da música popular brasileira. Quantos artistas já não quiseram começar assim um texto biográfico? Muitos, certamente. Mas sejamos francos: pouquíssimos foram os que conseguiram fazer justiça a essa imagem. Ainda mais quando a tal caverna não é, nem de longe, o que poderíamos chamar de “figura de linguagem”. Pois ela não só existe como é apenas mais uma das incríveis histórias reais dos 83 anos da vida de Isabel Marques da Silva, a Zabé da Loca. Mas antes que o distinto cidadão faça o essencial – que é remover a embalagem de plástico e botar esse Bom Todo para tocar – carece explicar alguns fatos. Desde os sete anos de idade, Zabé é tocadora de pífano, uma rudimentar flauta feita inicialmente de bambu (e mais tarde de cano de PVC ou metal), tradicional do Nordeste brasileiro. Infância e juventude, a artista passou trabalhando no campo e fazendo música na cidade de Buíque, agreste de Pernambuco. Casada, mudou-se para o interior da Paraíba, teve três filhos e, em 1966, ficou viúva e viu sua casa literalmente ruir. A única alternativa foi mudar-se com a família para uma gruta (uma loca, na linguagem da região), cuja entrada ela tapou com paredes de taipa e onde passou o seguinte quarto de século. Surgiam ali o apelido e as condições que talhariam a sua música. Do pife, Zabé da Loca extraiu o som do seu universo paralelo.
Descoberta pela mídia em 1995, a artista saiu da caverna – mas a caverna não saiu dela. Bom Todo (frase que, por sinal, é uma das poucas que Zabé normalmente profere – e só em grande estado de contentamento) é o sonhado registro de uma música que, em sua forma, remete aos mestres da Banda de Pífanos de Caruaru. Mas só ouvindo mesmo para acreditar no que está acontecendo. Pequenina, sempre com seu cigarrinho de fumo de rolo, Zabé da Loca gravou pela primeira vez nos anos 90. E só saiu do eixo Paraíba-Pernambuco em 2004, para participar, em Brasília, do projeto de shows Da Idade do Mundo, uma idéia da produtora Lu Araújo, ex-dona de uma loja de LPs independentes, hoje à frente da empresa Lume Arte. Lu já conhecia a pifanista de gravações e que, desde então, alimentava planos de dar a ela o disco que ela sempre mereceu.
Desse sonho, nasceu Bom Todo, que não por acaso é o lançamento inaugural da Crioula Records, selo da produtora, dedicado à sensacional música brasileira que ainda não encontra espaço no mercado. O projeto do disco foi contemplado pelo Programa Petrobras Cultural, a maior ação de patrocínio em cultura do país, da empresa que é uma das principais fomentadoras da música brasileira em seus diversos segmentos. Bom Todo começou a tomar forma quando, por sugestão de Lu, Zabé e seu grupo se encontraram em 2005 num estúdio em Recife com Carlos Malta, homem dos mil instrumentos de sopro, que tocou durante anos com o bruxo Hermeto Pascoal e que fundara um grupo só para tocar pífanos, o Pife Muderno. O acanhamento inicial (“Não sou musiqueira”, dizia a pifanista) logo deu lugar a uma rara sintonia musical e, em pouco mais de duas horas de estúdio, surgiram algumas das primeiras músicas do CD.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Festival MúsicaRecife - de graça para o fim de semana yeee


O festival acontecerá entre os dias 10 e 26 de Outubro com a participação de 36 bandas diferentes (a grande maioria de rock). Todos os shows são gratuitos na Praça do Arsenal.

Praça do Arsenal de 10 a 26 de Outubro de 2008
Sexta (10/10)
20h Canivetes
21h Bande Ciné
22h Zé Povinho
23h Zé Pilintra
Sábado (11/10)
21h Comunidade Azougue
22h Nuda
23h Suburbanos
00h The Playboys
Domingo (12/10)
17h Antiquarta
18h Relles
19h Asteróide B61
220h The Keith
Sexta (17/10)
20h Erro de Transmissão
21h Nose Tail
22h Sweet Fanny Adams
23h Profiterolis
Sábado (18/10)
21h Rhudia
22h Os Insites
23h AMP
00h Pocilga Deluxe
Domingo (19/10)
17h The Liverys
18h Martinez
19h A Banda de Joseph Tourton
20h Chambaril
Sexta (24/10)
20h Malvados Azuis
21h A Comuna
22h The Dead Superstars
23h Mellotrons
Sábado (25/10)
21h Duque de Arake
22h Ultralev
23h Electrozion
00h Júlia Says
Domingo (26/10)
17h Ohm
18h Pé Preto
19h Backstages
20h Vamoz!
+++
Red Bull Street Style – Final Nacional
Local: Praça Barão do Rio Branco (Marco Zero)
Data: Sexta-feira, dia 17 de outubro
Horário: 19h
Participação especial: Mundo Livre S/A
Pocket show: Maggo MC e Hugo
DJs: Justino Matos e Renato da Mata (Magia Negra)
Entrada gratuita

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Creio que a literatura não promove mudanças, mas permite formular perguntas. E as perguntas promovem as mudanças (Guilherme Arriago)


Duas coisas muito interessantes hoje:

Uma esse post do Catatau http://catatau.blogsome.com/2008/10/15/jornais-antigos-publicados-on-line/ com vários links para acesso de acervo de jornais e periódicos ---- França, The Times, The New York Times, vários jornais da terra brasilis, enfim, muita coisa. Vale a pena!!


A outra é a edição da Revista da Livraria Cultura desse mês http://www2.livrariacultura.com.br/culturanews/rc15/index.asp que vem com:

- Um ótima entrevista com Guilhermo Arriaga, roterista de Amores Brutos, 21 gramas e Babel

- Em entretenimento, uma reportagem sobre ópera que menciona dois eventos até então completamente ignorados por mim o Festival Internacional de Ópera da Amazônia (em Belém anualmente desde 2002) e o Festival Amazonas de Ópera (em Manaus, desde 1997) ---- já o Festival de Verão em Salvador tem uma meeeeega divulgação nacional...

- A indicação do site Catraca Livre http://www.catracalivre.com.br/de Gilberto Dimenstein que divulga eventos culturais ou de baixo custo --- infelizmente o foco é São Paulo, mas tem muitas dicas e informações preciosas. Tanto que de lá já fui parar no myspace de Concerto de Rua http://www.myspace.com/concertoderua grupo de música erudita e formação clássica que se apresenta nas ruas de São Paulo. Cheguem lá e escutem!

- O blog de Saramago http://blog.josesaramago.org/

e ficar sabendo que tem livro novo vindo aí... "A viagem do elefante"


Fragmento do livro disponibilizado pelo escritor no blog

Não há vento, porém a névoa parece mover-se em lentos turbilhões como se o próprio bóreas, em pessoa, a estivesse soprando desde o mais recôndito norte e dos gelos eternos. O que não está bem, confessemo-lo, é que, em situação tão delicada como esta, alguém se tenha posto aqui a puxar o lustro à prosa para sacar alguns reflexos poéticos sem pinta de originalidade. A esta hora os companheiros da caravana já deram com certeza pela falta do ausente, dois deles declararam-se voluntários para voltar atrás e salvar o desditoso náufrago, e isso seria muito de agradecer se não fosse a fama de poltrão que o iria acompanhar para o resto da vida, Imaginem, diria a voz pública, o tipo ali sentado, à espera de que aparecesse alguém a salvá-lo, há gente que não tem vergonha nenhuma. É verdade que tinha estado sentado, mas agora já se levantou e deu corajosamente o primeiro passo, a perna direita adiante, para esconjurar os malefícios do destino e dos seus poderosos aliados, a sorte e o acaso, a perna esquerda de repente duvidosa, e o caso não era para menos, pois o chão deixara de poder ver-se, como se uma nova maré de nevoeiro tivesse começado a subir. Ao terceiro passo já não consegue nem sequer ver as suas próprias mãos estendidas à frente, como para proteger o nariz do choque contra uma porta inesperada. Foi então que uma outra ideia se lhe apresentou, a de que o caminho fizesse curvas para um lado ou para o outro, e que o rumo que tomara, uma linha que não queria apenas ser recta, uma linha que queria também manter-se constante nessa direcção, acabasse por conduzi-lo a páramos onde a perdição do seu ser, tanto da alma como do corpo, estaria assegurada, neste último caso com consequências imediatas. E tudo isto, ó sorte mofina, sem um cão para lhe enxugar as lágrimas quando o grande momento chegasse. Ainda pensou em voltar para trás, pedir abrigo na aldeia até que o banco de nevoeiro se desfizesse por si mesmo, mas, perdido o sentido de orientação, confundidos os pontos cardeais como se estivesse num qualquer espaço exterior de que nada soubesse, não achou melhor resposta que sentar-se outra vez no chão e esperar que o destino, a casualidade, a sorte, qualquer deles ou todos juntos, trouxessem os abnegados voluntários ao minúsculo palmo de terra em que se encontrava, como uma ilha no mar oceano, sem comunicações. Com mais propriedade, uma agulha em palheiro. Ao cabo de três minutos, dormia. Estranho animal é este bicho homem, tão capaz de tremendas insónias por causa de uma insignificância como de dormir à perna solta na véspera da batalha. Assim sucedeu. Ferrou no sono, e é de crer que ainda hoje estaria a dormir se salomão não tivesse soltado, de repente, em qualquer parte do nevoeiro, um barrito atroador cujos ecos deveriam ter chegado às distantes margens do ganges. Aturdido pelo brusco despertar, não conseguiu discernir em que direcção poderia estar o emissor sonoro que decidira salvá-lo de um enregelamento fatal, ou pior ainda, de ser devorado pelos lobos, porque isto é terra de lobos, e um homem sozinho e desarmado não tem salvação ante uma alcateia ou um simples exemplar da espécie. A segunda chamada de salomão foi mais potente ainda que a primeira, começou por uma espécie de gorgolejo surdo nos abismos da garganta, como um rufar de tambores, a que imediatamente se sucedeu o clangor sincopado que forma o grito deste animal. O homem já vai atravessando a bruma como um cavaleiro disparado à carga, de lança em riste, enquanto mentalmente implora, Outra vez, salomão, por favor, outra vez. E salomão fez-lhe a vontade, soltou novo barrito, menos forte, como de simples confirmação, porque o náufrago que era já deixara de o ser, já vem chegando, aqui está o carro da intendência da cavalaria, não se lhe podem distinguir os pormenores porque as coisas e as pessoas são como borrões indistintos, outra ideia se nos ocorreu agora, bastante mais incómoda, suponhamos que este nevoeiro é dos que corroem as peles, a da gente, a dos cavalos, a do próprio elefante, apesar de grossa, que não há tigre que lhe meta o dente, os nevoeiros não são todos iguais, um dia se gritará gás, e ai de quem não levar na cabeça uma celada bem ajustada. A um soldado que passa, levando o cavalo pela reata, o náufrago pergunta-lhe se os voluntários já regressaram da missão de salvamento e resgate, e ele respondeu à interpelação com um olhar desconfiado, como se estivesse diante de um provocador, que havê-los já os havia em abundância no século dezasseis, basta consultar os arquivos da inquisição, e responde, secamente, Onde é que você foi buscar essas fantasias, aqui não houve nenhum pedido de voluntários, com um nevoeiro destes a única atitude sensata foi a que tomámos, manter-nos juntos até que ele decidisse por si mesmo levantar-se, aliás, pedir voluntários não é muito do estilo do comandante, em geral limita-se a apontar tu, tu e tu, vocês, em frente, marche, o comandante diz que, heróis, heróis, ou vamos sê-lo todos, ou ninguém. Para tornar mais clara a vontade de acabar a conversa, o soldado içou-se rapidamente para cima do cavalo, disse até logo e desapareceu no nevoeiro. Não ia satisfeito consigo mesmo. Tinha dado explicações que ninguém lhe havia pedido, feito comentários para que não estava autorizado. No entanto, tranquilizava-o o facto de que o homem, embora não parecesse ter o físico adequado, deveria pertencer, outra possibilidade não cabia, pelo menos, ao grupo daqueles que haviam sido contratados para ajudar a empurrar e puxar os carros de bois nos passos difíceis, gente de poucos falares e, em princípio, escassíssima imaginação. Em princípio, diga-se, porque ao homem perdido no nevoeiro imaginação foi o que pareceu não lhe ter faltado, haja vista a ligeireza com que tirou do nada, do não acontecido, os voluntários que deveriam ter ido salvá-lo. Felizmente para a sua credibilidade pública, o elefante é outra coisa. Grande, enorme, barrigudo, com uma voz de estarrecer os tímidos e uma tromba como não a tem nenhum outro animal da criação, o elefante nunca poderia ser produto de uma imaginação, por muito fértil e dada ao risco que fosse. O elefante, simplesmente, ou existiria, ou não existiria. É portanto hora de ir visitá-lo, hora de lhe agradecer a energia com que usou a salvadora trombeta que deus lhe deu, se este sítio fosse o vale de josafá teriam ressuscitado os mortos, mas sendo apenas o que é, um pedaço bruto de terra portuguesa afogado pela névoa onde alguém (quem) esteve a ponto de morrer de frio e abandono, diremos, para não perder de todo a trabalhosa comparação em que nos metemos, que há ressurreições tão bem administradas que chega a ser possível executá-las antes do passamento do próprio sujeito. Foi como se o elefante tivesse pensado, Aquele pobre diabo vai morrer, vou ressuscitá-lo. E aqui temos o pobre diabo desfazendo-se em agradecimentos, em juras de gratidão para toda a vida, até que o cornaca se decidiu a perguntar, Que foi que o elefante lhe fez para que você lhe esteja tão agradecido, Se não fosse ele, eu teria morrido de frio ou teria sido comido pelos lobos, E como conseguiu ele isso, se não saiu daqui desde que acordou, Não precisou de sair daqui, bastou-lhe soprar na sua trombeta, eu estava perdido no nevoeiro e foi a sua voz que me salvou, Se alguém pode falar das obras e feitos de salomão, sou eu, que para isso sou o seu cornaca, portanto não venha para cá com essa treta de ter ouvido um barrito, Um barrito, não, os barritos que estas orelhas que a terra há-de comer ouviram foram três. O cornaca pensou, Este fulano está doido varrido, variou-se-lhe a cabeça com a febre do nevoeiro, foi o mais certo, tem-se ouvido falar de casos assim, Depois, em voz alta, Para não estarmos aqui a discutir, barrito sim, barrito não, barrito talvez, pergunte você a esses homens que aí vêm se ouviram alguma coisa. Os homens, três vultos cujos difusos contornos pareciam oscilar e tremer a cada passo, davam imediata vontade de perguntar, Onde é que vocês querem ir com semelhante tempo. Sabemos que não era esta a pergunta que o maníaco dos barritos lhes fazia neste momento e sabemos a resposta que lhe estavam a dar. Também não sabemos se algumas destas coisas estão relacionadas umas com as outras, e quais, e como. O certo é que o sol, como uma imensa vassoura luminosa, rompeu de repente o nevoeiro e empurrou-o para longe. A paisagem fez-se visível no que sempre havia sido, pedras, árvores, barrancos, montanhas. Os três homens já não estão aqui. O cornaca abre a boca para falar, mas torna a fechá-la. O maníaco dos barritos começou a perder consistência e volume, a encolher-se, tornou-se meio redondo, transparente como uma bola de sabão, se é que os péssimos sabões que se fabricam neste tempo são capazes de formar aquele maravilhas cristalinas que alguém teve o génio de inventar, e de repente desapareceu da vista. Fez plof e sumiu-se. Há onomatopeias providenciais. Imagine-se que tínhamos de descrever o processo de sumição do sujeito com todos os pormenores. Seriam precisas, pelo menos, dez páginas. Plof.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Fliporto - 6 a 9 de novembro


Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas - Ano IV

O tema desse ano é "Trilhas da Diáspora. Literatura em África e América Latina"

Paralelo ao "spa das letras", acontece o 2º Circuito Gastronômico Fliporto, com pratos tradicionais de países da América Latina e África oferecidos em 15 restaurantes locais; a 1ª Mostra de Artes Plásticas, com o trabalho de 15 artistas de Ipojuca em cartaz; e o 1º Roteiro Eco-Turístico. Para as crianças, estão programados concurso de contos e recreação nas ruas dentro da Fliportinho.


E para completar, a CASA LATINO-AMERICANA no mesmo período
http://www.casalatinoamerica.com.br/

- Show de abertura com Nando Cordel lançando a campanha “Arte contra fome” e a música inédita Africa - Brasil, com participação especial do ballet afro Malet Moget.
- Pocket Show e performance poética de Gabriel , "O Pensador".
- Apresentação do Usina da Lata, que é um grupo de jovens percussionistas do morro da Conceição, homenageando a África – A CONFIRMAR
- Samba de Latada dos músicos Paulo Moura e Josildo Sá, indicados para o prêmio TIM de música – A CONFIRMAR
- Orquestra Contemporânea de Olinda
- Show e noite de Autógrafo com Silvério Pessoa,no lançamento de seu livro “Diário de Viagem”
- Show com a cantora revelação: Marina de LA Riva e sua banda
- Show de M.V.Bill e noite de autógrafo do seu livro: “Falcão e as mulheres do tráfico”
- Apresentação do Maracatu “Alfaias da Praia” e do Ballet Popular do Recife.
- Lançamento e autógrafos de Lirinha, cantor do Cordel do Fogo Encantado, com seu livro “Mercadorias do Futuro”.

Onde ficar???

Pousada A Casa Branca (fone: 81.3552.1808) é a única credenciada pelo Hostelling International. Também existem outras opções de albergues: Porto das Pedras (fone: 81.3552.1543); Navegantes (fone: 81.3552.2398) e Márcia Refeições e Albergue (fone: 81.3552.1021).

PROGRAMAÇÃO



ABERTURA
DIA 06 (quinta-feira)
17:00h - Palavra do curador geral ANTÔNIO CAMPOS
Apresentação grupo Mestre Salustiano
AULA ESPETÁCULO DE ARIANO SUASSUNA Recital Negras Vozes
Recital de Marcelino dos Santos (Moçambique), Quincy Troupe( EUA) , Rei Berroa (Rep.Dom.) e Thiago de Mello (Brasil)
Lançamento do livro Solano Trindade, poeta do povo
Coquetel de confraternização


DIA 07 (sexta-feira)
Sala 1
9,00 hs – Lusografias : Literatura Lusófona Pós-Colonial
Palestra : Patrick Chabal(King’s College de Londres-Presidente da AEGIS :
Grupo África-Europa de Estudos Interdisciplinares em Ciências Humanas e Sociais)
Apresentação : Ângela Dionísio (Brasil/Coord.Pós Letras/UFPE)
10,00 hs – Lusografias : A África no Brasil e o Brasil na África
Palestra : Alberto da Costa e Silva (ABL)
Apresentação : Virgínia Leal(Brasil/Diretora doCac/UFPE)
11,00 hs - Lusografias : Lobo Antunes e a ficção portuguesa pós-colonial
Palestra : Ana Paula Arnaut (Universidade de Coimbra-Portugal)
Apresentação : Lucila Nogueira (Brasil/UFPE/Curadora Literária Fliporto)
Lançamento de livros de Alberto da Costa e Silva e Ana Paula Arnaut

Sala 2
9,00 hs – Lusografias : Literatura Brasileira em Portugal
Palestra : Arnaldo Saraiva(Universidade do Porto)
Apresentação : José Rodrigues de Paiva (Brasil/Assoc.Est.Port.J.Emerenciano/UFPE)
10,00 hs - Lusografias : Sobre o Acordo Ortográfico
Palestra : Domício Proença Filho(ABL)
Apresentação : Maria José Luna (Brasil/UFPE)
11,00 hs – Lusografias : O Acordo Ortográfico e a Editora Língua Geral
José Eduardo Agualusa (Angola)
Apresentação : Nelly Carvalho (Brasil/UFPE)
Lançamento da Revista A Terceira Margem
Lançamento de livros da Editora Língua Geral

Sala 3
9,00 hs – Lusografias : A demanda pós-colonial das literaturas africanas
José Flávio Pessoa de Barros (Brasil-Univ.Cândido Mendes)
Roberto Pontes(Brasil-UFC)
Rita Chaves (Brasil-USP)
Vera Maquea (Brasil-Unemat)
César Giusti (Brasil/UFPE) (Coordenador)
10,00 hs - Lusografias : uma trajetória
Alexandre Maia (Brasil - UFPE)
Francisco Soares (Angola - Univ.Benguela)
Lucila Nogueira(Brasil-Ufpe)
Luis Cezerillo(Moçambique-Univ.Maputo)
José Rodrigues de Paiva(Brasil/Ufpe)(Coordenador)
11,00 hs - Lusografias : Literatura Lusófona no Timor Leste
Palestra : Pedro Rosa Mendes(Portugal/Timor Leste)
Apresentação : Gilda Lins (Brasil –Ed.Universitária/UFPE)
Lançamento de Livros

I N T E R V A L O PARA ALMOÇO
Sala 1
15,00 hs – Literatura Moçambicana
Luiz Carlos Patraquim conversa com Paulina Chiziane
Leitura de Poesia por Marcelino dos Santos
Apresentadores : Perón Rios e Johnny Martins (Brasil/UFPE)
16,00 hs - Literatura Angolana
Ana Paula Tavares conversa com Ondjaki
Leitura de poesia por Amélia Dalomba
Apresentadores : Pietro Graza e Lepê Correia (Brasil/UFPE)
17,00 hs - Poesia das Américas
Quincy Troupe(EUA), Rei Berroa(Rep.Dom) e Thiago de Mello(Brasil)
Lançamento de livros

sala 2
15,00 hs - Literatura de São Tomé e Príncipe
Palestra : Margarida Paredes (Portugal/Universidade De Lisboa)
Apresentação : Wilma Martins Mendonça(UFPB) e Anamélia Maciel (UFPE)
Leitura : Manuel Teles Neto-Malé Madeçu (São Tomé e Príncipe)
Apresentação : Olímpio Bonald (APL)e André Cervinskis(UFPB)
16,00 hs – Literatura de Cabo Verde
Palestra : José Manuel Esteves (Portugal/Univ.Paris-Ouest La Défense)
Apresentação : Gilda Santos (UFRJ-Real Gabinete Português de Leitura do Rio)
Lançamento livro do escritor Samuel Gonçalves
Apresentação : Alexandre Santos(Pres.ALANE)
17,00 hs – Literatura da Guiné Bissau
Palestra : Moema Parente Augel (Brasil/Alemanha/Univ.Bielefeld)
Apresentação : Roberto Pontes (Brasil/UFC)
Leitura de Poesia : Tony Tcheca (Guiné Bissau)
Apresentação : Vital Corrêa (UBE)
Lançamento do livro “O desafio do escombro”,de Moema Parente Augel.
e “Guiné sabura que dói “ de Tony Tcheca
Apresentação : Magnum Stalone(Ufpe)e alunos da Guiné Bissau na Ufpe

Sala 3
15,00 hs - Literatura da Guiné Equatorial
Palestra : Benita Sampedro Viscaya (Hofstra Univ.NY)
Apresentação : Alberto Poza(Espanha/Brasil/UFPE)
16,00 hs –Recordando os 110 anos da morte do poeta afro-descendente Cruz e Sousa
Ângelo Monteiro (UFPE) conversa com Lauro Junkes (Pres.Acad.Catarin. de Letras)
Apresentação : Waldênio Porto (Pres. Academia Pernambucana de Letras)
17,00 - África de todos nós
José Jorge de Carvalho (São Paulo/USP)
Roberto Emerson Câmara Benjamin (Pernambuco/UFRPE)
Roberto Motta(Pernambuco/UFPE)
Yeda Pessoa de Castro (Bahia/UFBA)
Coordenação: Walteir Silva (Pernambuco/NEBA-UFPE)

EM SALA ESPECIAL
18,00 hs - Exibição do filme Cruz e Sousa, o poeta do desterro (Sylvio Back)
18,30 hs - Mostra dos filmes africanos vencedores do Festival de Tarifa
(Apoio Instituto Cervantes )
Apresentação: Juan Ignácio Jurado Centurión

EM SALA ESPECIAL
18,00 hs - Poema/instalação de Wellington de Melo
19,00 hs - Poesia e Pintura por Pedro Buarque

NA PRAÇA DAS PISCINAS NATURAIS
18,00 hs – Roda de Poesia Pernambucana
19,00 hs - Grupo MOVIPOESIA



DIA 08 (sábado)
Sala 1
9,00 hs - Ensaio Latino-Americano : Muerterismo y Vodu en Cuba
José Millet (Cuba/Venezuela)
Trad. do espanhol : Juan Pablo Martin Rodrigues
9,30 hs – Poesia Latino-americana : 70 anos sem Alfonsina Storni e César Vallejo
Karine Rocha (Ufpe) e Lucila Nogueira(Curadora Literária Fliporto)
10,00 hs - Sobre a Literatura Latino-americana
Juan Ignacio Jurado Centurión (Espanha/Brasil/UFPE)
Juan Pablo Martin Rodrigues(Espanha/Brasil/UFPE)
Luzilá Gonçalves Ferreira(UFPE)
Marieta Andion (Cuba/Espanha/Uned)
Schneider Carpeggiani (UFPE)
Sérgio Fonta (Rio de Janeiro)
Coordenador : Miguel Espar Argerich (Catalunha/Brasil/UFPE)
Trad. do espanhol : Wellington de Melo
11,00 – Viva a Literatura Latino-americana
Fernando Nieto Cadena(Equador/México)
Francisco Fernandez (Nicarágua)
Nelson Simon(Cuba)
Rei Berroa(República Dominicana)
Vicente Gómez Montero(México)
Waldo Leyva(Cuba)
Coordenação : Alfredo Cordiviola ( Argentina/Brasil –UFPE)
(Trad.do espanhol : Juan Ignacio Jurado Centurión
Juan Pablo Martin Rodrigues
Wellington de Melo)
Lançamento de livros

Sala 2

9,00 hs – Literatura Brasileira Hoje
Bruno Piffardini (São Paulo/Pernambuco)
Cláudio Willer(São Paulo)
João Paulo Cuenca (Rio de Janeiro)
José Mário Rodrigues (Pernambuco)
Sérgio de Castro Pinto (Paraíba)
Vicente Franz Cecim(Pará)
Coordenação : Raimundo Carrero (Pernambuco)
10,00 hs – Literatura Brasileira : Quando o Escritor é Editor
Homero Fonseca (Revista Continente Multicultural)
João Gabriel de Lima (Revista Bravo)
José Nêumanne Pinto (Jornal O Estado de São Paulo)
Linaldo Guedes(Suplemento Correio das Artes)
Quincy Troupe(Black Renaissance Noir)
Ronaldo Bressane (Revista Entrelivros)
Coordenadores : Flávio Chaves(Gazeta Pe.)e Garibaldi Otávio(Brasil)
Trad.do inglês : Marina Martensson(Suécia)
11,00 hs - A trajetória OFF FLIP na FLIPORTO
Ovídio Poli Júnior conversa com Lucila Nogueira
Leitura de texto com Flávio de Araújo
Apresentação : Márcia Maia (Pernambuco)
11,30 hs - Literatura e Arte
Palestra : Affonso Romano de Sant’Anna
Apresentador : Zeca Camargo
Lançamento do livro O Enigma Vazio

Sala 3
9,00 hs - Diáspora e Identidade Cultural em Stuart Hall
Palestra : Liv Sovik (Brasil/UFRJ)
Apresentação :Ângela Phryston(Brasil/UFPE)
9,45 hs - A África na obra de Doris Lessing
Palestra : Marli Hazin (Brasil/UFPE)
Apresentação : Sueli Cavendish (Brasil/UFPE)
10,30 hs Aimé Césaire : Surrealismo e negritude na América Latina
Yaracylda Coimet (Brasil – UFPE)
Apresentação: Sebastien Joachim (Brasil/Canadá)
11,15 hs - 70 anos da tradução francesa de Jubiabá
Myrian Fraga (Bahia- Fund. J. Amado)conversa com Lucilo Varejão Neto(Arl/Ufpe)

I N T E R V A L O P A R A A L M O Ç O
Sala 1
15,00 hs - GERAÇÃO 65 : Saudade de Sérgio Albuquerque
Depoimentos: Delano, Leda Alves, Lucilo Varejão Neto, Roberto Motta, Sílvio Soares
Leitura de Cyl Gallindo e Marina Martensson (Suécia)
Apresentação : José Mário Rodrigues
Lançamento 2ª edição(fac-similada) aos quarenta anos de Murais da Morte
16,00 hs - GERAÇÃO 65: Tributo a Alberto da Cunha Melo
Depoimentos : Norma Godoy e Liliane Jamir ( FAFIRE )
Apresentador : Alexandre Furtado (FAFIRE)
Recital de homenagem pelos alunos da Fafire
Apresentação : Domingos Alexandre
17,00 hs - GERAÇÃO 65 : Raimundo Carrero : Literatura e Vida
Homenagem dos alunos da sua Oficina Literária
Apresentação : Schneider Carpeggiani e Marcelo Pereira
18,00 hs - Lançamento de Livros
Ângelo Monteiro, Jaci Bezerra e José Rodrigues de Paiva
Apresentação : César Leal e Almir Castro Barros

GERAÇÃO 65 : EM SALA ESPECIAL
Exposições Permanentes de Maximiano Campos (IMC)
e Alberto da Cunha Melo (Biblioteca Pública Estadual)

Sala 2
15,00 hs - Joaquim Nabuco e o Abolicionismo
Mário Hélio (FJN) conversa com César Leal (UFPE)
16,00 hs - A África em Gilberto Freyre
Fátima Quintas (APL) conversa com Sílvio Soares (Fundaj)
16,45 hs - Brasil, África e América Latina
Antonio Campos (Curador Geral da Fliporto) conversa com Marcus Accioly (Presidente do Conselho Estadual de Cultura)
17,30 hs - Poesia e epopéia na América Latina
Palestra : Marcus Accioly (Presidente do Conselho Estadual de Cultura)
Apresentador/debatedor : Saulo Neiva(/Univ/Clermont-Ferrand)

Sala 3
15,00 hs – A Saga dos Anti-Heróis Latino-Americanos
Beato Lourenço - Cláudio Aguiar(APL) e Luiz Henrique Monteiro (UFPE)
Virgulino Ferreira da Silva - Frederico Pernambucano de Mello (APL)
Coordenador : Lourival Holanda(UFPE)
16,00 hs - Homenagem ao Centenário de Guimarães Rosa
Palestra : Sandra Vasconcelos( IEB/USP)
Depoimento : Ana Luiza Martins Costa(FBN)
Lançamento de Livro : Bráulio Tavares
Apresentação : Paulo Gustavo (Fundaj)
Leitura de manifesto em favor da liberdade de expressão
16,45 hs – Homenagem a Antonio de Castro Alves 140 anos da apresentação de O Navio Negreiro (Tragédia no Mar) recital 1 – Michelle Nogueira e Tatiane Roserecital 2 - Sílvio Romero e Marina Martensson Apresentação : Adalto Farias e Martha Góis
17,00 hs - Homenagem ao Centenário de Solano Trindade
Cláudia Cordeiro conversa com Inaldete Pinheiro
Depoimento : Raquel Trindade
Apresentador : Valteir Silva (NEBA – UFPE)
18,00 hs - Homenagem ao Centenário de Josué de Castro
Lançamento dos livros : A Nova Geografia da Fome - Xico Sá
Josué de Castro, a fome e o mangue - Lucila Nogueira
Josué de Castro , o gênio silenciado – Vandeck Santiago
Apresentação : Antônio Campos (Curador Geral Fliporto)

EM SALA ESPECIAL
18,00 hs - Exibição do filme Mutum sobre conto de JGR (Ana Luiza Martins Costa)
18,30 hs – Exibição documentário sobre Solano Trindade
19,00 hs - Exibição do vídeo Miró : preto, pobre, poeta e periférico

NA PRAÇA DAS PISCINAS NATURAIS
18,00hs – Roda de Poesia Fliportiana
19,00 hs – Grupo de Poesia NÓS-PÓS

DIA 9 (domingo)
Sala 1
9,00 hs – Homenagem ao Centenário de Machado de Assis
Palestra : Antonio Carlos Secchin(ABL)
Apresentação : Aleilton Fonseca(Bahia)
10,00 hs - Pepetela(Angola) conversa com Marcelino dos Santos(Moçambique)
Moderadores : José Eduardo Agualusa (Angola) e Luis Carlos Patraquim(Moçambique)
11,00 hs –Sessão de Assinatura do Ato de Irmanamento da Fliporto com o Festival de Poesia de Granada(Nicarágua) por Antonio Campos (Curador) e Francisco Fernandez (Presidente)
11,30 hs - Sessão do Movimento Poetas del Mundo
Posse de Antonio Campos como Cônsul em Ipojuca e Pernambuco
Apresentação : Luiz Arias Manzo(Chile)/Delasnieve Daspet/Diva Pavesi (Brasil)
12,00 hs - AULA SHOW -
José Miguel Wisnik (SP – Brasil)
e Arthur Nestrovski (SP/Brasil)
Apresentação: Antonio Campos
13,00 hs - SESSÃO DE ENCERRAMENTO
Palavra do Curador Geral da Fliporto Antônio Campos

Sala 2
9,00 - As multi-etnias de Jomard
Moisés Neto (UFPE) conversa com Noemi Araújo
Leitura: Jomard Muniz de Britto
9,45 hs -Angola : A Pátria mãe de meus afetos
palestra : Cyl Gallindo
Apresentação : Lourdes Sarmento
10,30 hs - A fala da mulher na Literatura Pernambucana
Cida Pedrosa e Inah Lins
Kátia Mesel e Lenilde Freitas
Marilena de Castro e Vivian Leone
Coordenação : Luzilá Gonçalves Ferreira (UFPE)
11,15 hs - Diálogos Luso-Brasileiros
Palestra : Gilda Santos (Real Gabinete Português de Leitura do Rio)
Apresentação : – José Rodrigues de Paiva(Assoc.Est.Port.Jordão Emerenciano/UFPE)
Testemunhos : Elisabete Dias Martins(Universidade Federal do Ceará)
Maria de Lourdes Hortas(Gabinete Português de Leitura do Recife)
Laura Areias( GPL e Real Hospital Português do Recife)
Ermelinda Ferreira (Universidade Federal de Pernambuco)
Apresentação : Teresa Magalhães(AALP) e Humberto França(Fundaj)
Lançamento de livros dos painelistas e dos escritores Admaldo Matos, Rinaldo Fernandes, André Cervinskis, Lourdes Sarmento, Esmeralda Camacho.

Sala 3
9,00 hs - Literatura, rádio e televisão.
Cristiano Ramos (Tv Universitária)
Evaristo Filho (Tv Globo)
Renato Lima (Café Colombo)
Apresentadora : Maria Cláudia de Azambuja
9,45 hs - Lançamento Observatório Afro-latino – Fundação Palmares
10,30 hs – Canto Pernambucano
Antonio Torre Medina (UFPE)
Apresentação : Garilza Medina
10,45 hs - Literatura e Mídia no BrasilMaria Adelaide AmaralEdney SilvestreZeca CamargoCoordenação : Luís Erlanger(Rio de Janeiro)
11,15 hs - Roda de Poesia da Paraíba
Antonio Mariano
Astier Basílio
Bráulio Tavares
Dione Barreto
Hildeberto Barbosa Filho
José Nêumanne Pinto
Lau Siqueira
Linaldo Guedes
Mário Hélio
Petra Ramalho
Raimundo Gadelha
Sérgio Castro Pinto
Apresentação : Heloísa Arcoverde de Moraes(FCCR)








Mapa



01 OFICINA - FLIPORTO 2008 Preço: R$ 5,00
01 OFICINA ESTUDANTE - FLIPORTO 2008 Preço: R$ 2,50
01 PALESTRA - FLIPORTO 2008 Preço: R$ 5,00
01 PALESTRA ESTUDANTE - FLIPORTO 2008 Preço: R$ 2,50PACOTE PALESTRAS - FLIPORTO 2008Preço: R$ 30,00
PACOTE PARA OFICINAS - ESTUDANTE - FLIPORTO 2008 Preço: R$ 12,00

PACOTE PARA OFICINAS - FLIPORTO 2008 Preço: R$ 25,00
PACOTE PARA PALESTRA - ESTUDANTE - FLIPORTO 2008 Preço: R$ 15,00

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

MIMO!!


A quinta edição da MIMO - Mostra Internacional de Música em Olinda ocorrerá de 03 a 07 de setembro de 2008, com apresentações musicais nas Igrejas da cidade, além da programação de filmes, palestras e ações educativas.

IMPERDÍVEL!!!!


Programação

03/09

Mostra de Cinema
PINDORAMA – A VERDADEIRA HISTÓRIA DOS SETE ANÕES
19h
Pátio da Igreja da Sé
Concertos
RAMIRO MUSOTTO
18H30
Igreja de São Pedro Apóstolo
Concertos
DUO PERANZZETTA-SENISE
18H30
Convento de São Francisco
Concertos
SINFONIETTA JÖNKÖPING
20h30
Igreja da Sé


04/09
Mostra de Cinema
DONA HELENA
19h
Pátio da Igreja da Sé
Espaço Petrobrás MIMO
DUO GISBRANCO
17H30
Espaço Petrobras MIMO
Concertos
YASEK MANZANO
18h30
Seminário de Olinda
Concertos
BRAD MELHDAU E JOSHUA REDMAN (EUA)
20H30
Igreja da Sé
Concertos
SAGRAMA
18H30
Igreja do Rosário dos Homens Pretos
Mostra de Cinema
VIVA VOLTA
18H
Pátio do Seminário


05/09
Mostra de Cinema
TRÊS IRMÃOS DE SANGUE
19h
Pátio da Igreja da Sé
Mostra de Cinema
BOOKER PITTMAN
18H
Pátio do Seminário
Espaço Petrobrás MIMO
ACARIOCAMERATA
17H30
Espaço Petrobras MIMO
Concertos
QUINTETO VILLA-LOBOS
18H30
Mosteiro de São Bento
Concertos
HAIM ISAACS E IZIDOR LEITINGER
18H30
Seminário de Olinda
Concertos
AMÉRICA CONTEMPORÂNEA
20H30
Igreja da Sé


06/09
Mostra de Cinema
HERBERT DE PERTO
19h
Pátio da Igreja da Sé
Mostra de Cinema
RUA DA ESCADINHA 162
18H
Pátio do Seminário
Concertos
ORQUESTRA SINFÔNICA DE BARRA MANSA
16H
Igreja Nossa Senhora do Monte
Espaço Petrobrás MIMO
TRÊS VIOLÕES BRASILEIROS
17h30
Espaço Petrobras MIMO
Concertos
SIBA E ROBERTO CORRÊA
18H30
Convento de São Francisco
Concertos
ORQUESTRA MIMO
18H30
Seminário de Olinda
Concertos
EUMIR DEODATO TRIO
20H30
Igreja da Sé


07/09
Mostra de Cinema
BATUQUE NA COZINHA
18H
Pátio do Seminário
Mostra de Cinema
ONDE A CORUJA DORME
19h
Pátio da Igreja da Sé
Concertos
ORQUESTRA SINFÔNICA DO RECIFE
11H30
Igreja da Sé
Concertos
ORQUESTRA CRIANÇA CIDADÃ DOS MENINOS DO COQUE
16H
Igreja do Rosário dos Homens Pretos
Espaço Petrobrás MIMO
TIRA POEIRA
17h30
Espaço Petrobras MIMO
Concertos
ANTIQUE CORDOVA ENSEMBLE (ARGENTINA)
18h30
Igreja de Guadalupe
Concertos
ANDRÉ MEHMARI
18H30
Seminário de Olinda
Concertos
CARLOS MALTA & PIFE MUDERNO E BANDA SINFÔNICA MANGAIO
20H30
Igreja da Sé



SENHAS
Concertos
A programação das 11h30, 16h e 17h30 tem entrada aberta ao público, sujeita à lotação dos espaços.
A programação das 18h30 tem distribuição de senhas de acesso a partir das 17h, do dia do concerto.
A programação das 20h30 tem distribuição de senhas de acesso a partir das 18h do dia do concerto.
Local de distribuição das senhas: Biblioteca Municipal de Olinda
Av. da Liberdade, s/nº, Carmo. Olinda, PE
Cinema e vídeo
A programação de cinema e vídeo tem entrada aberta ao público.
Sujeita à lotação dos espaços.


PS: Foto de Mateus Alves, tirada na MIMO 2006 (08.09.06)

sábado, 21 de junho de 2008

Silvério Pessoa e a Ponte da Boa Vista

Havia escrito um post no início da semana do São João sobre o arraiá que fui no Pátio de São Pedro em Recife. Acabei deixando para terminar depois e, bem depois de tanto tempo as coisas não fazem mais tanto sentido.
Ainda assim, vale a pena publicar para falar de Silvério Pessoa que tocou no dia (uma das atrações da noite). Também vale a pena dizer que a noite era daquelas gostosas, cheias de frescura quase que aveludadas (caminho de volta para casa com as luzes amareladas, o silêncio e aquela atmosfera em suspenso, tão peculiar de Ricifi).
Voltando para Silvério, é um cantor pernambuco já bem conhecido por essas bandas e que também já está com um bom nome por aí a fora.
O site http://www.silveriopessoa.com.br/
O myspace http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=172751772

E a letra "da música" da noite (mais pernambucana impossível)


Nas terras da gente

Atravessei a ponte da Boa Vista

Lembrando das histórias do Holandês

Sentindo o cheiro doce da maré seca

Cantarolando sons do dia de Reis

Em cada prédio traços de uma cultura

Interior das nossas recordações

Mamãe contava

Tinha mula sem cabeça, pé de manga, malassombro

Lá debaixo do coité

De madrugada grito de porco sangrando

Copo de cachaça fresca pro caboclo festejar

Sarapatel, carrapateira, mandioca, jenipapo

Milho verde e coco de catolé

Sou de Pernambuco sou

Das brenhas do Interior

Estou por aqui, estou, pra ser cantador

Sou de Pernambuco sou

Dos cafundó do mundo sou

Estou por aqui, estou, sou trabalhador

(Silvério Pessoa)

PS: Impossível não lembrar de Madá toda feliz quando ouviu "atravessei a ponte da boa vista". Também impossível não lembrar da sensação de atravessá-la.

Aqui o clip ;)


quinta-feira, 19 de junho de 2008

Antologia da música baiana

"Pesca de Arrastão"


Baiano aqui em Ricifi sofre. Todo mundo quer tirar um pouquinho de onda - não vou nem perder tempo repetindo as besteiradas todas. Tudo na brincadeira, mas, no fundo, rola um despeitozinho, né verdade...

Como resposta àquela batida piada de que música baiana só tem vogal "aê aê aê aê, ê ê ê ê, ô ô ô ô" (do clássico "prefixo de verão") organizei uma - nas palavras do próprio recifense - antologia da música baiana, e mandei para ele no orkut (duas páginas completas rs).

Dada a qualidade do trabalho, vou postar aqui também, aos pouquinhos, sempre acompanhada de uma pintura de Carybé.

Para começar bem, hoje vamos de Dorival Caymmi



É doce morrer no mar

É doce morrer no mar,
Nas ondas verdes do mar
A noite que ele não veio foi,
Foi de tristeza pra mim
Saveiro voltou sozinho
Triste noite foi pra mim
É doce...
Saveiro partiu de noite, foi
Madrugada não voltou
O marinheiro bonito
Sereia do mar levou.
É doce...
Nas ondas verdes do mar, meu bem
Ele se foi afogar
Fez sua cama de noivo
No colo de Iemanjá
(Dorival Caymmi)
E já que falamos nela, aqui vai "Prefixo de verão" (não adianta falar mal, é um clássico da axé music hehe)