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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Jaspion e "Vale night" - mas que Ricifi é esse?!?!

Domingo, no Recife, é dia de feirinha na Rua do Bom Jesus. Ontem havia um motivo a mais para eu dar um pulinho lá: era também feira japonesa e eu tinha marcado com minha amiga Sawako Kawaii.
Sakê, pedaço-de-cartolina-com-seu-nome-em-japonês, roupas e acessórios da moda lolita-japonesa, mangá, sushi (e rolinho primavera também :0...) e sei lá mais o que. Gente demais para rua de menos - fugimos.
Tentando, desesperademente, sair daquele muvuca, nos deparamos com um aglorado ao redor de uma televisão. Curiosidade fala mais alto... eram episódios de Jaspion!!!
Um monte de gente revivendo seu passado anos 80, reconhecendo a música, os personagens... não vou esconder: ganhei a noite!

PS: Não tem preço - entrar em um ônibus em Recife e estar tocando Asa de Águia - "Vale night" hehe. Quem disse que "recifense é tudo cult"

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Chicos, Caetano, amor e não-amor: tudo em um ônibus pelo Recife


"Mas que cara de buchuda... tás linda!!!!" E Madá abriu um sorrisão, feliz com o elogio, afinal ela está buchudíssima, gerando Julinha.
Sim, eu estava, realmente, de volta a Recife. Por apenas duas semanas, mas tempo suficiente para rever os poucos e leais amigos que deixei por aqui, rever as pontes, as avenidas e os carrinhos de frutas nas ruas e, ainda, desvendar outros mistérios: o bolo de noiva tradicional, com massa de ameixa (uhggg) e a pizzaria Atlântico (hummm).
Durante a semana, mantive a rotina Casa de Cati - Congresso, o que significa:
Carneiro --- Recife Antigo = 3 pontes sobre o rio Capibaribe
Mas hoje, sexta, começou a brincadeira: almoço com Madá (minha buchadinha, com 5 meses) e festival recife do teatro nacional com meu capitão Paulo e o fiel escudeiro Tatá.
Assistimos Cordel do amor sem fim, dentro de um ônibus em movimento pelas ruas do Recife (as pessoas, nas calçadas, olhando, abismadas com aquela gritaria, eram uma atração a parte). O ônibus era uma casa em Cariranha, sertão baiano, às margens do Velho Chico, onde Tereza passava a vida à esperar por "Antonhio", no cais, tal como canta o outro Chico.
Em uma carta, ela escreveu (acho que é uma citação, mas não tenho certeza):
"O amor não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por magnetismo, por conjunção estrelar. Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referências. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá ou pelo tormento que provoca."
Novamente, o amor e o não-amor na forma de recado (depois de 4 dias de Niklas Luhmann na veia, ficava difícil não começar a pensar em códigos binários rsrs).

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Escreve, fia, escreve

Pergunta sórdida: não deveria estar terminando minha dissertação ao invés de postar essa baboseira?!?!
Aiiii

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Já não posso mais cantar "meus vinte poucos anos"



É duro, mas é verdade... ultrapassei a barreira dos 25 e completei, no dia 17, exatos 26 aninhos. Agora não tão mais exatos, dada a demora em postar algo a respeito (aliás a demora em postar, ponto).

Não foi falta de vontade, nem de assunto. Mas sim um emaranhado encadeado de coisas - se é que isso é possível...

Sobre o aniversário, teve festa-quase-surpresa, com direito a bolo, docinho, pãozinho etc; carreata vinda da Bahia-iá-iá só para me fazer feliz - e como fizeram... - telefonemas perdidos e outros achados; abraço, choro, beijo e praia.

Ah e quero comunicar que, a partir de agora, o femme será ilustrado, em geral, com as fotos tiradas na minha protelada e aguardada câmera fotográfica.

A foto, que inaugura essa nova etapa, chama-se "kit-tieta com canga psicodélica ao fundo" (que ninguém leve a sério isso...).

Essa sacola "ebololada" foi meu presente de aniversário dos Piratas. Dentro uma lembrancinha pitoresca de cada um dos piratas-fixos, ou seja, amigos que fiz quando fiquei no "Albergue Piratas da Praia", minha primeira casa recifense.

O nome, claro, vem da minha alcunha em terras pernambucanas...

domingo, 2 de novembro de 2008

Repassando desejos

(...)Desejo a você:
Rir como criança,
ouvir canto de passarinho,
sarar de resfriado,
escrever um poema de amor que nunca será rasgado,
formar um par ideal,
tomar banho de cachoeira,
pegar um bronzeado legal,
aprender uma nova canção,
esperar alguém na estação,
queijo com goiabada,
pôr de sol na roça,
uma festa, um violão, uma seresta,
recordar um amor antigo,
ter um ombro sempre amigo,
bater palmas de alegria,
uma tarde amena,
calçar um velho chinelo,
sentar numa velha poltrona,
ouvir a chuva no telhado,
vinho branco,
Bolero de Ravel...
Drummond


De Tico em 30.10.2008

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Saramago, Claudel e Feit


Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites, manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra em nós uma grande serenidade, e dizem-se as palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas mãos. Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.


José Saramago
(De Feit, em 21.10.2008, por email)

PS: Imagem "O abandono" de Camille Claudel

sábado, 27 de setembro de 2008

Dia bom de nunca ter sido

O dia brigando com um antigo projeto de artigo. Como escultura de argila que não deu certo e que mesmo assim insistimos em dar forma. Amassa dali, molha mais um pouco, alisa, mas não há como salvá-la de si mesma, do contrário deixaria de ser para ser outro.
Mais um dia que escorre nesse meu universo diminuto: minha escrivaninha, o computador, a vista para o prédio ao lado, o sol que reflete na fachada do edifício da outra margem da rua, o mural de cortiça com a moldura pintada de guache verde.
Oito e meia, tigela de mamão, maçã e iogurte; o toque do celular; nada que comece com "não é nada grave" pode ser bom. Minha vó, minha Aurora e aurora do meu mundo caiu novamente. Noventa anos e nos últimos três, três quedas: o fêmur, o punho, agora o outro fêmur.
Vejo ela daqui, no mesmo quarto da clínica, sobre os lençóis gastos, a bandeja da refeição que mal desce. Lembro dos gemidos e de todas as suas expressões de dor que eu não conhecia até a primeira queda. Vivo tudo novamente mesmo não estando, dói-me mas como só escuto o som da minha lembrança dói-me menos. Não me rasga.
Reluto em admitir, mas a verdade é que não gostaria de estar lá agora; ela tem meu pai e o conforto da presença do filho querido, e minha tia e o cuidado da filha incansável. Eu pouco faria, pouco sou diante dela. Vê-la frágil é sempre me estilhaçar um pouco mais e fazer-me forte para juntar-me e carregá-la para onde nem eu sei.
Hoje o que eu queria é que o telefonema não passasse de brincadeira sem-graça, que minha vó estivesse deitada em sua cama, lendo ou costurando, e eu ganhasse uma passagem de avião para Salvador, chegasse de surpresa e me acomodasse na beirinha da cama. Beijaria seu rosto, muito e muito, como sempre faço, passaria a mão nos cabelos prateados, nas rugas, minhas velhas conhecidas, e ficaria ali até que bastasse.
Ficaria melhor se hoje não tivesse sido.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Quem tem uma BIKE encostada em casa??????



Já faz um tempinho - mais de ano - que estou querendo me locomover de bicicleta. Desde que ainda morava em Salvador. Procurei primeiro saber se ainda tinha alguma bike de um dos ex-pirralhos da família-extendida entulhada em algum cantinho de uma garagem qualquer. Nada.
Tentei, então, uma segunda opção, encontrar uma bicicleta usada em alguma dessas oficinas de "ponta de rua", por três motivos: primeiro, o preço, segundo por acreditar que reduzir o consumo é uma forma de melhorar o mundo (se posso re-utilizar uma velhinha encostada, por que vou comprar uma nova?), e terceiro pela segurança (uma bike velhinha deve ser menos visada, né mesmo). Procurei na Boca do Rio e no Costa Azul. Nada.
Fui adiando, adiando e até agora, Nada.
O vídeo aí embaixo começa assim (caso você tenha preguiça de assistir, falta de tempo, blablabla) "certamente você tem, ou conhece alguém que tenha uma bicicleta largada, suja e abandonada" e eu, imediantamente "Não!!!!!! Eu não!"
Nesse mesmo instante, estava escrevendo na janela ao lado o post sobre o comentário aqui no une femme, e aí me dei conta: tem gente que eu realmente não conheço se esbarrando por aqui.
Juntando uma coisa com a outra:
QUEM TIVER UMA BIKE, NUM ESTADO QUE DÊ PARA ANDAR, E QUE QUEIRA VENDER POR UM PREÇO CAMARADA (ACEITO DOAÇÕES TAMBÉM, HEHEHE) OU TROCAR POR ALGUMA COISA (naquela lógica de sistema de troca) É SÓ DEIXAR UM COMENTÁRIO AQUI (o segundo também a gente nunca esquece).
Ah, claro, a bicicleta tem que estar aqui em Recife ou área metropolitana...
Divulguem!!! Quem sabe...




PS: o vídeo achei em
http://pedaleiro.com.br/2008/09/22/divulgacao-documentario/

E a foto é de Bern@t http://flickr.com/photos/bernatcg/567487032/

O primeiro comentário a gente nunca esquece

Olha, acho que nunca escondi de ninguém nesse blog que eu sou uma autêntica betôna - bestona, ou seja muuuuito besta, na linguagem tatibitati dos meus primeiros anos e que meu pai fez questão de preservar para a posteridade. Daquele tipo que bate palma parecendo foca quando gosta de alguma coisa...
Daí, creio que posso confessar sem maiores problemas: ontem deixaram, pela primeira vez na história do une femme, um comentário...
Escolhi a opção ser avisada por email quando houvesse comentário, imagina o meu susto quando vi na minha caixa de entrada aquela mensagem!!! Eita... Quem disse que eu tive coragem de vir logo olhar o comentário aqui no blog? Fiquei só imaginando quem poderia ter escrito e o quê. É lógico - lógico para quem me conhece, claro - que meu primeiro pensamento foi que teriam esculhambado algo que eu tinha escrito bla,bla,bla.
Bem, na verdade era um singelo "obrigado" pelo link do post de Nicolau de Cusa.

Ai, quem tem que agradecer sou eu né?

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Educando as criancinhas...



Terça e quarta dias de hortifruti no bompreço; é quando eu faço meu mercadinho que, não riam, gira em torno de R$25,00 a R$30,00 na semana (sim passo bem obrigada e como praticamente todos os dias, todas as refeições em casa). Tenho, por sinal, certo orgulho: consigo segurar o impulso consumista e fico sem os industrializados, os caros, os de marca e os super-supérfluos e assim ponho em prática o tal "consumo consciente" - ajudada pelo exigüidade do meu orçamento claro...

Fico naquela: banana, maçã, mamão, aveia, linhaça, granola, iogurte (indispensáveis para "minha tigelinha" do café da manhã, como diz o capixaba-piadista com aquela cara de "fia como é que cabe isso tudo numa pança só?!?!") (lógico que quando chegam ao preço exorbitante de, por exemplo, R$3,78 o kg da maçã, eu corto com o coração na mão e trato de me adaptar às frutas da estação); cebola, alho e verduras, raízes e tubérculos da promoção (geralmente chuchu, abóbora, cenoura, inhame), e claro, a barrinha de cereal, hehehe.

Os mensais são arroz, feijão, soja e, novidade desse segundo semestre, frango. Sim tomei coragem, perdi meus últimos escrúpulos vegetarianísticos e preparei um franguinho (temperado no alho e sal e grelhado... ficou bom, hein).

Fora isso a dispensa tem: cuzcuz, torrada, temperos e chás diversos; uns biscoitos, goiabada, chocolate para receber os amigos; farinha de trigo, fermento, leite condensado, creme de leite, milho verde em caso de resolver fazer alguma receitinha mais incrementada; e, claro, miojo...

Sim, mas antes de ficar falando esse monte de abobrinha, o que eu queria mesmo relatar era meu encontro com o mundo capitalista-ecológico-responsável-para-crianças. Passeando pelos corredores do mercado, subitamente me deparei com a visão do inferno: "Banco Imobiliário Sustentável", ou seja, aprenda a ganhar dinheiro com a consciência e imagem limpinhas, ops, com o meio-ambiente limpinho.

Procurando a imagem do jogo achei o blog "banco imobiliário". Lá os posts são de um tal "banqueiro" (hehe) e descobri que o brinquedinho acabou de ser lançado.

Segundo o diretor de marketing da Estrela, Aires Leal Fernandes, "na versão do banco imobiliário sustentável, as companhias de transporte foram substituídas por empresas como Companhia de Reciclagem Energética, Companhia de Reflorestamento, de Agricultura Orgânica e de Reciclagem Mecânica. As cartas de Sorte ou Revés também são temáticas. O jogador pode sofrer reveses como “sua empresa foi multada por poluir demais”, ou sortes como “você protegeu suas terras do desmatamento e faturou com o turismo ecológico” e “sua cadeia de restaurantes orgânicos é um sucesso”. Já o dinheiro é substituído por créditos de carbono."

Realmente achei louvável essa ação de educação ambiental da Estrela, olhem só o que diz o presidente da empresa, Carlos Tilkian:

“Entendemos que levar estas inovações para as crianças faz parte de um processo de educação importante sobre conscientização ambiental para que, quando estas crianças se transformarem em novos líderes, possam dar melhores contribuições ao crescimento sustentável de nosso planeta”

Lógico que vai custar um pouquinho mais caro, 15% mais do que a versão fora da moda ecologicamente correto.

Ficou interessado, aviso logo que por enquanto só nas lojas Wall-Mart. Então vá correndo no Bompreço mais perto e garanta logo o seu.

domingo, 24 de agosto de 2008

Ó Linda e a literatura de Cláudio Aguiar


Já ando sem mapa pelas ruas de Olinda. Já sei onde ficam suas igrejas - algumas claro - onde saltar, onde pegar o ônibus, de que lugar do alto da Sé a vista é mais bela.

Assisti a missa em canto gregoriano do mosteiro de São Bento: todo domingo 10:00. Depois subi até a Sé e comi meu primeiro acarajé não baiano em toda a vida. O vatapá muito mole, o bolinho muito, muito estranho, mas com camarãozinho seco tudo fica uma delícia. Devorei todinho.

Depois visitar minha amiga sortuda que mora por lá. Suco de graviola (hummmm), conversa jogada fora, brisa, sofá (aqui na república tem isso não... sofá? é o que mesmo??). De quebra ganhei dois livros do pai dela que é escritor. Saí de lá toda envergonhada, carregando meus dois presentes debaixo do braço e com uma moleza de subir e descer ladeira nesse domingo ensolarado, mas fresquinho.

Bem, o pai de Madá se chama Cláudio Aguiar. Os dois livros que ganhei são:

"Caldeirão: a guerra dos beatos" (editora Caliban)
"Lampião os meninos" (editora Universitária UFPE)

Aqui um poema dele que achei no site Jornal da Poesia (http://www.revista.agulha.nom.br/CL.html)


Balada dos Últimos Arcanjos

Balada dos últimos arcanjos
Arcanjos vão às águas do Jordão
buscar pedras perdidas no seu leito,
enquanto o cão ao olho leva a mão
e seus filhotes cantam: "Oh, bem feito".
Se as águas brilham fortes no verão,
imagens nelas surgem flutuando
nos espelhos das ondas, deslizando, até que a noite venha a luz cegar.
Só, acordada, a mente vai pensando
no sonho que mais tarde irá sonhar.

Papiro, pergaminho, papelão,
eis o que fica no lodo da terra,
trazido ao dia qual aluvião
se cava a mão e logo os desenterra.
Iluminado arcanjo que se encerra
no leve curso d’água fugidia,
salta desnudo pela margem fria,
alma ou fantasma, dádiva do mundo, desfigurada e rápida alquimia,
dos que não chegam mais além do fundo.

Desembestado o húmus temporão,
incontinenti, avança e não emperra
diante dos olhares dos que vão cedo ao combate da planície à serra,
a paz ferindo, loas dando à guerra.
Não pára o tempo e a pedra o pó gerando,
o micro gene ao vento joga e ferra
a semente na sombra, a germinar
nas horas quentes, vidas transformando,
milhões de vozes na torre a falar.

As correntes do rio, qual trovão,
nas cachoeiras vão trombeteando,
milhões de ícones a verberaro som das eras, voz anunciando,
final estrondo, que o bit vai dar.
Mas domingo sempre é domingo... como não sentir saudade de casa?

sábado, 23 de agosto de 2008

Sono


Bem que tentei postar alguma coisa hoje, mas o sono não me permite escrever nada que possa ser classificado como não-lixo.

Retomando, o projeto de colocar aqui as obras de Caribé, esta se chama "sábado". Foi o que tive hoje, um sábado como se deve ser, com praia, sol e mar, com cabelo molhado, cheiro de mato, escalando pedra, sorvete e lenço no cabelo.

Oyasumi!

Litoral sul pernambucano: bommm


Sábado ensolarado nas terras pernambucanas.

Uma xícara de chá logo cedo, uma tentativa de estudo - razoavelmente bem-sucedida - finzinho do jogo de vôlei feminino (OURO!!).

Dessa vez o destino foi o litoral sul:
Vila de Nossa Senhora de Nazaré: uma vilazinha no alto de uma colina, com muito resquício de Mata Atlântica, e uma vista lindíssima do mar azulão lá embaixo. Uma igreja e as ruínas de um convento carmelita do sec. XVII.

O farol do Cabo de Santo Agostinho (segundo a placa o último ponto que se desligou da África há zilhões de anos atrás; e, segundo os pernambucanos despeitados como sempre, onde o Brasil foi "descoberto" em janeiro de 1500... tá rsrs). De lá do alto, a vista é simplesmente indescritível.

Depois, fomos à praia de Suape e do Paraíso. Não recomendo: uma farofada com direito a vista para o porto e aquelas refinarias e mar meio sujo.

Fechando com chave de ouro, praia de Calhetas. Mar calmo, azulzinho, pequeninha, com pouca gente, Recife ao longe, e um céu limpo. Precisa mais?
Sabe de uma, precisa!!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Cinema, Teatro Parque e a carteira esquecida


O programa de pós-graduação em direito da UFPE fica na Rua do Hospício - como bem enfatizou Carminha, secretária do PPGD sempre nos trinques e com ótimo humor, isso não é uma mera coincidência, ao contrário faz tooooooodo sentido.



Bem, seguindo em direção à Av. Conde da Boa Vista, atravessando-a, e quase chegando na praça Maciel Pinheiro, encontramos o Teatro Parque. Meu velho conhecido de passar por ali - desde da primeira etapa da seleção em que fiquei hospedada em uma espelunca-hotel-aiquemedodeserhoteldealtarotatividade ali na Praça Maciel Pinheiro (maior jeitão de "relógio de São Pedro" ou "largo dois de julho" para quem conhece o que que a Bahia tem).
Namorava os filmes que passavam por lá, alguns poucos espetáculos, mas nunca passou do flerte.
Hoje desencantei. Para compensar assisti logo dois de cara a R$ 1,00 cada - sim, isso mesmo!!! dá para ser melhor??
A idéia era assistir "Um beijo roubado" às 16h, mas para nossa surpresa, quando o filme começou, descobrimos que tínhamos nos confundido com a programação. Assistimos então "O signo da cidade", filme nacional, com roteiro de Bruna Lombardi (que também faz o papel principal claaaaro) e direção de Carlos Alberto Ricelli. Fraco, fraco...
Quindim e bolo pé de moleque na Padaria Imperatriz, na rua homônima, sino da Igreja badalando (essa da imagem), chamando para a missa das seis, aquela confusão da Boa Vista, agora com a luz do cair da noite.
Ficamos para a sessão das 18h, agora já com a certeza do que iríamos assistir.
Na volta, a noite no Recife, ainda mistério para mim: fresca, com o amarelo das luzes das pontes e o negrume dos rios.



"Um beijo roubado" (My Blueberry nights) de Wong Kar-Wai
Elenco estrelado para pouco filme. Dá para o gasto e só. Mesmo assim, despertou o interesse para a obra de Kar-Wai, diretor chinês meio fissurado pelos EUA.
Na listinha para assistir: "Felizes juntos" e "Amor à flor da pele".

Para encerrar, a imagem da estátua de Clarice Lispector que tem na praça (ela morava nos arredores quando menina)


PS: Agradecimentos ao financiamento, já que simplesmente na hora de pagar a xerox dos textos da semana descobri que tinha esquecido a carteira. Sim já vi gente esquecer celular, chave de casa, documento, mas a carteira inteira!!! Primeira vez. Peguei o ônibus com o passe-fácil e passei o dia lisa lisa. Almoço com Manoel-Derrida e xerox+cinema+lanche com Sawako-Kawaii. Vá ter cara de pau assim, lá longe.


quarta-feira, 18 de junho de 2008

Celebrar à distância


Estar longe mas não perder o fio que nos une. Qual será a mágica que se dá entre alguns que os tornam tão especiais entre si? Ou então, conhecer, há poucos meses, e ver o esboço de amizade se delinear quase que por si mesmo.
Quem explica a mágica? - a de viver, amar e bem-estar junto ao outro. Como pode se desentender - seja aos gritos ou silenciosamente - e ainda assim carregar o outro dentro de si?
Sempre falo a Tico que gosto tanto que desejo para ele a mesma felicidade que desejo para mim mesma. Que o sucesso dele me faz feliz.
Hoje estava lendo (parece que estava certa, rsrs):
"(...) amar é querer para outrem aquilo que reputamos serem bens, e isso não em nosso interesse, mas no interesse dele (...) é amigo aquele que ama e é amado em retorno (...) aquele que conosco se alegra no bem e conosco sofre no mal, sem outra consideração que não seja a da pessoa amada). (...) Mostra-se verdadeiramente amigo o homem que quer para o ser amado aquilo que quer para si. (Arte Retórica, Livro II, cap. IV, I, 2, 3, 4 - Aristóteles)

Falo de Man, Miloca e Nati. Não pude/poderei estar com elas em suas bancas, não sei se estarei na colação de grau, mas sinto o contentamento mais puro de vê-las caminhar. Belas mulheres e amigas valiosas - a vida vai passando e alguns vão ficando, continuando junto mesmo que longe.

Um pouco da beleza de Man, segundo ela mesma:

Luar se fez, num raio prateado
Iluminando o céu, e as espumas do mar
Lindo clarão a beira mar
Vejo Mamãe Yemanjá
Lá vem, lá vem, junto com suas sereias
Nos abençoar, Rainha Yemanjá
Dona das águas tu és Mãe
Oh Janaína, Odoyá
Iluminai minhas profundas água
Para eu decifrar mistérios de meu mar
Nesse meu mar de emoções
Rainha vem me iluminar
Yemanjá, principio gerador
Amor fundamental, tão puro e maternal
Yemanjá vem confortar
Oh Janaina, Odoya
(Leo Artese)

OBS: Pintura de Carybé "Lavadeiras"

terça-feira, 10 de junho de 2008

Meio 2008 já foi. E aí? ou Minha vida = um promissor poema não escrito


Depois de 3 meses me sentindo meio que em casa, começo a me ver completamente estrangeira in Ricifi. Talvez, esteja constatando-me estrangeira "em si", de mim mesma.
Deparei-me com esse vídeo "My proletary life: mind the gap" da Mostra Catálogo 2ptos de Lourival Batista. Artista pernambucano que está morando (e ralando) em Londres.
Diante do seu sentimento de emigrante, vejo o meu espelhado (com todas as devidas proporções do mundo, embora essa seja uma ressalva dispensável, pois é "só" sentimento).
O mais curioso é que só começo a me dar conta disso, quando as coisas começam a perder a "novidade": já não passo por tantas ruas novas, já não falo com tantas pessoas com as quais nunca havia falado, enfim, aconchego-me novamente na normalidade.
Como pode, logo agora, sentir-me estrangeira [novamente!!! será?]?
O que procuro no novo que não acho no estabelecido, já que sou eu mesma que estabeleço?
Quantos dos meus planos e sonhos para esse ano ainda estão a milhas e milhas de séculos de serem realizados?
Outro dia enquanto ia para o CCJ, provavelmente em um Setúbal/Boa Vista, fiz um poema - na verdade, ele que se fez. Eu em pé, sacolejando, e o poema se fazendo por toda Conselheiro. Divertimento. De repente, outro poema sobre ter feito um poema naquela conjuntura começou a se fazer. Nessa altura, eu já tinha passado da ponte pelo Capiba - sol fraquinho, refletindo dourado-sujo nas águas; tinha até isso no tal poema - chegando no Forte 5 pontas. Quando cheguei no Recife Antigo, me dei conta: como vou lembrar dos dois? E mais, sei que quando saltar no mesmo ponto de sempre, vou caminhar meus mesmos passos de todos os dias, subir os dois lances de escada e não vou sentar pegar um papel e concretizar nele os poemas revelados. E eles iriam, durante o resto do dia, se desmanchar, descorar, até eu pensar que "não, não vale a pena escrevê-los".
Dito e certo!
Quantas poesias já fiz e nunca escrevi. Quantas escrevi e nunca mostrei. Nunca declamei nenhuma (nem minha, nem de ninguém). Minha mudez que disfarço de silêncio.
Minha vida como poema adiado; O que tem que ser escrito, deve ser escrito no agora, a vida pede urgência; não a urgência sádica e histérica do progresso da tal modernidade (ou pós, ou tardia, ou o diabo a quatro). A urgência do desejo, do sangue nas veias que não pode esperar um segundo que seja para correr, que não pode dizer "amanhã eu passo pela veia dos dedos das mãos que agora não dá".
Não sou poeta, não sou artista, não sou filósofa, não sou jurista. Minha vida e os poemas não escritos.
Agora, estou tentando escutar um pouco Foucault "Devemos criar prazeres novos, então pode ser que o desejo surja".
Já ia esquecendo, o vídeo eu achei no site "2ptos - Arte contemporânea em Pernambuco.

Quase comida de mãe


Para quem está morando há pouco tempo fora da casa da mãe, um prato como esse ganha todo um significado especial - principalmente se é ainda-estudante, tradução duro, sem um neca no bolso. Não, não estou vivendo de miojo. No início estava almoçando quase sempre na comida a quilo. Mas, aos poucos fui me aventurando na cozinha - tanto para economizar quanto pela vontade de aprender, de preparar minha própria comida, de experimentar mesmo.
Não é que está dando certo. Hoje éramos em quatro na mesa. Mesa farta: arroz, feijão, macarrão, carne, farofa de calabresa, salada de alface tomate e cebola. De repente me solta Catarina: "isso é quase comida de mãe!".
Pois é, quem diria....

segunda-feira, 9 de junho de 2008

"Basta um momento de poesia para nos dar a eternidade inteira"


AH! OS RELÓGIOS

Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...

Mario Quintana - A Cor do Invisível

E basta um e-mail, para uma tarde melancólica ganhar luz e cor.
Carlinha e os poemas inesperados...

terça-feira, 13 de maio de 2008

Salvador, Ricifi e Mônica Salmaso



Ai, funciona assim - como quase tudo em minha vida - quando uma prática vira rotina, você segue ela tranquilamente, mas é só parar um ou dois dias que para retornar...
Assim foi nesse blog - que nem sei se alguém lê, já que nunca tive um comentário sequer... - se eu via algo de interessante, ouvia, ou sentia, já pensava: vou colocar no blog!
Mas fui para Salvador e lá os dias eram curtos e preciosos. Queria estar com, rever, abraçar, jogar conversa fora, fazer cafuné, receber cafuné, cochilar enroscada, gargalhar, falar besteira, contar as experiência no Ricifi, ou simplismente não fazer nada desde que junto dos que me fazem tanta falta por aqui.
Quando voltei, quem disse que consegui retomar o blog... pensava tenho que contar como foi lá, depois tenho que contar sobre ter tomado vergonha na cara e ter começado a malhar (na academia mais lama que eu já vi! imagine a mensalidade é R$25,00 sem limite, pode ir das 6h às 22h, em plena Boa Viagem!!! imaginem...); depois sobre o show de Mônica Salmaso (primoroso!!!) e minha primeira ida ao Teatro Santa Isabel (parecia que eu estava em um filme de época, só faltava chegar de carruagem e depois passear pelos jardins do pátio das princesas, com direito a luz amarelada e fonte d'água).

Sobre Mônica Salmaso cabe destacar que ela é uma artista muito acima da média, com diferencial. Além da voz aveludada e forte, da dicção clara e limpa, das variações improváveis que faz com a voz acompanhando os instrumentos, o que mais impressionou é o apuro musical de todo grupo. Primeiro que ela não é acompanhada por uma simples banda; Mônica e Grupo Pau Brasil tocam juntos e eles são um desbunde de qualidade. Ficava muito clara a marca (de qualidade) daquele grupo nas músicas de Chico.
Valeu muito a pena (melhor ainda porque conseguimos entrar de graça rsrs)

O vídeo traz a última música do show, um momento de epifania. Delícia.

Os links

http://www.monicasalmaso.mus.br/


terça-feira, 29 de abril de 2008

Tô chegando!!!!!!



Chego em SSA nas primeiras horas de amanhã. Fico até dia 04/05.
Roteiro
Acarajé no RV com os amigos
Bobó da minha mãe
Cozido de vó Bela
Nhoque de vó Lequinha
Saudadessssssssss