quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Avenida Sete, mon amour



Esse vídeo foi postado no Som do Roque em dezembro de 2007, mas só hoje, fuçando à procura de um post antigo,me deparei com ele. Ele é de Ana Lígia Leite e Aguiar que mora - ou morava - na Av. Sete de Setembro em Salvador; do Porto da Barra até a praça Castro Alves, ela se estende, se transforma, carrega extremos, é a face da cidade. Também um dia falo melhor dela - com direito a foto.

PS: Depois de 8 meses em Recife, acho que vai dar para comprar uma câmera - normal, da mais baratinha mesma, nada de profissional que eu nem sei mexer nisso. Tanta coisa que quis registrar e não pude... talvez tenha sido bom, forçar os olhos e fazer deles a minha câmera, tentar guardar cada pedaço da cidade, das pessoas.
Mas, por esses dias ela tá saindo, e aí vou sair por aí e mostro por aqui.
Ah e vou fazer o mesmo na Bahia-iá-iá

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Sobre2Rodas


Há um tempinho atrás coloquei o vídeo de um documentário bem curtinho sobre locomover-se com bike. O cara fez outro e está participando de uma concorrência "o vídeo que, ao final do período de votação (dia 31 de outubro), tiver a média mais alta de 'estrelinhas' no youtube, vence. O vencedor produzirá ainda um outro documentário.". Então, dá uma chegada aqui e assite o vídeo.

Carlos Pena Filho


Desmantelo Azul
Então pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas
depois vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas

Para extinguir de nós o azul ausente
e aprisionar o azul nas coisas gratas
Enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas
E afogados em nós nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço
E perdidos no azul nos contemplamos
e vimos que entre nascia um sul
vertiginosamente azul: azul.

Carlos Pena Filho


Poeta pernambucano, cuja estátua fica na praça do Diário sentado, junto a uma mesa, a esperar por companhia. Passava no ônibus e olhava-o. Era só uma estátua; outro dia, um amigo pronunciou seu nome e descobri que eram os mesmos, o nome e a estátua. Ela então ganhou letras, sons e uma cor - ao menos para mim.
A Solidão e Sua Porta
Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar
E quando nada mais interessar
(nem o torpor do sono que se espalha)

Quando pelo desuso da navalha
A barba livremente caminhar
e até Deus em silêncio se afastar
deixando-te sozinho na batalha

Arquitetar na sombra a despedida
Deste mundo que te foi contraditório
Lembra-te que afinal te resta a vida

Com tudo que é insolvente e provisório
e de que ainda tens uma saída
Entrar no acaso e amar o transitório.

Carlos Pena Filho
PS: Enviado para Feit em 24.10.2008
PS2: A foto é minha, tirada na máquina de Kawaii em 25.08.2008, no II Bon Odori realizado pela Associação japonesa aqui em Recife.
Pelo Wikipédia ----- Bon Odori é um festival que ocorre anualmente durante o verão, sempre após o pôr do sol, pois prevalece a crença de que os espíritos somente saem durante a noite. Cada localidade escolhe uma data específica para fazer os seus festejos durante esse período. O Bon Odori é um festival de tradição budista que tem as suas origens na China. Durante o Bon celebram-se as almas dos antepassados com danças em grupo e levando-se lanternas acesas saudosamente lembrando da sabedoria dos antepassados. Apesar de análogo ao dia dos finados, durante o Bon são tocadas músicas tradicionais alegres e, sobretudo, predomina um clima de jovialidade, gratidão e participação geral. Muitas famílias aproveitam a oportunidade para se reencontrarem durante o Bon, voltando das grandes cidades aos seus lugares de origem. O Bon também é celebrado em comunidades de imigrantes japoneses e seus descendentes e amigos fora do Japão

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Dá aos olhos cegos dele a luz que ele perdeu por fitar o amor tão intensamente


A lua branca

A lua branca brilha no bosque. De ramo em ramo, parte uma voz que vem da ramada.
Oh! bem-amado! Reflete o lago, como um espelho, o perfil vago do ermo salgueiro que ao vento chora. Sonhemos, é hora...
Como que desce uma imprecisa calma infinita do firmamento que a lua frisa. Estrela da manhã volta ao poeta. Dá aos olhos cegos dele a luz que ele perdeu por fitar o amor tão intensamente. Depressa! Ilumina meu sonho com ele na hora indecisa, porque o sol dourado já vem!
Paul Verlaine
(no flyer de divulgação da peça "Anjo de fogo e gelo" que conta a história do romance entre os poetas Paul Verlaine e Arthur Rimbaud - em cena no Teatro Barreto Jr., aos sábados e domingos, 20h - Recife, Pina, Av. Conselheiro Aguiar)


Assisti, hoje, no Teatro do Parque (R$1,00 hehe), "os desafinados". Mas pelo amor de Jhá, que filme mais ruimzinho é esse?!?!?!
Inúmeras cenas desnecessárias, roteiro fraco, cheio de lugar c0mum (enfiaram a questão da ditadura militar, por exemplo, de qualquer jeito), Selton Melo novamente como o inconsequente maconheiro e, pra completar, a mesma cara de sempre de siriema morta de Alessandra Negrini, olhe... dá não.
Só não foi pior do que o da semana passada "Era uma vez". Não lembro se comentei alguma coisa. Em todo caso, não falar: não vale a pena...

PS: Ilustração de Anne Julie

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Saramago, Claudel e Feit


Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites, manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra em nós uma grande serenidade, e dizem-se as palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas mãos. Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.


José Saramago
(De Feit, em 21.10.2008, por email)

PS: Imagem "O abandono" de Camille Claudel

domingo, 26 de outubro de 2008

Carta aberta dos professores da Ruy Barbosa


Julho quando estive em Salvador, acompanhei de relance o início desse tal "tsunami". Um amiga minha, professora da Ruy, não estampava o sorriso que lhe é peculiar e fui logo perguntando "que que houve, que que há". Acho que fazia só uma semana que a Ruy tinha sido vendida para um grupo especializado em mercantilização do ensino. A tradição pedagógica, o cuidado com o aluno e com os funcionários davam lugar para a maximização do lucro e minimização dos custos a qualquer preço. Ela relatou cada caso, um mais sacana (vão desculpando, mas não tenho outra palavra) do que o outro. Ao que parece, de lá para cá pouco mudou, pelo contrário. Hoje me deparei com essa nota no som do roque, se na época a coisa já estava feia, imagino agora para estarem tomando uma atitude dessa. A Ruy é uma faculdade privada e os pescoços desses professores estão em jogo, mas se trata de educação e, portanto, de interesse de todos e de cada um. Que eles sejam ouvidos e recebam o apóio necessário para enfrentar e reverter a situação.
Divulguem!

Bicicletada em Salvador

Já passou, mas de qualquer forma vai aqui o contato ----- dia 24 de Outubro teve a primeira “Bicicletada” em Salvador. Promovida pelo Núcleo Pró-ciclovias de Salvador (iniciativa de estudantes do curso de Comunicação Social com Relações Públicas da Uneb).
Contato:
voudebike@ymail.com
(71)8795-8157